Educação corporativa: os desafios de treinar diferentes gerações

Como a pedagogia empresarial deve lidar com o ecletismo de perfis nas organizações

Nunca, nos ambientes corporativos, se viu tanta diversidade de pessoas como hoje. Também pudera. A geração baby boomers (formada por quem nasceu entre 1946 e 1965) nem terminou de se aposentar e o mercado de trabalho já está empregando seus netos – aquela turma nascida depois de 1996 e que começa a entrar nas empresas como estagiários e trainees. Entre esse grupo maduro – educado no rigor da disciplina e da estabilidade –, e os nativos digitais – mergulhados na tecnologia e na inquietude desde a maternidade – convivem ainda, nos quadros das organizações, pelo menos outras duas gerações. Os filhos dos baby boomers, que assistiram à chegada da tecnologia e, bem ou mal, encontraram um jeito de se adaptar a ela, e os millennials, que cresceram na modernidade, se empenham na carreira e nos estudos formais mas são, ao mesmo tempo, multifuncionais. Por fim, remexendo um pouco mais fundo nos quadros das empresas, dá para encontrar até a chamada builder generation, nascida entre 1930 e 1945 e da qual há representantes na ativa e em plena produtividade.

Conectar essas gerações, com todas as suas especificidades – de ideias, valores, maneiras de pensar e de se relacionar com o mundo –, em torno de interesses comuns de trabalho exige das organizações uma dose extra de esforço e criatividade. Esse é, com certeza, um dos grandes (se não o maior) desafios da educação corporativa moderna.

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Pensando nesse desafio, um aspecto é considerado elementar para a pedagogia empresarial: treinamentos devem ser planejados e entregues de maneiras diferentes, adaptados ao perfil de cada um desses públicos que, juntos, formam uma grande rede no ambiente organizacional.

Quem são as gerações de “clientes” da pedagogia empresarial

Builder generation (1930-1945)

Eles respiraram na atmosfera da Segunda Guerra Mundial, viveram os efeitos da Grande Depressão e sabem o que é sacrifício em benefício de todos. São práticos, dedicados e dispostos a dar muito e receber pouco. Acostumados a hierarquias rígidas, são altruístas e têm aversão a riscos. Há poucas pessoas dessa geração nas empresas, mas elas ainda estão presentes e exercem influência em áreas específicas do mercado de trabalho.

Baby Boomers (1946-1965)

São pessoas que foram educadas com muita rigidez, determinadas a trabalhar muito tempo na mesma empresa e a se sacrificar para alcançar objetivos de longo prazo. Elas prezam a estabilidade financeira e a qualidade, são pouco influenciáveis, firmes e maduros nas decisões.

Geração X (1966-1980)

São os filhos dos baby boomers, aqueles que assistiram à chegada das novas tecnologias. São independentes, empreendedores, equilibram vida pessoal e profissional, prezam a individualidade, mas não descuidam da convivência coletiva. Buscam liberdade e ruptura.

Geração Y (1981-1995)

São os famosos millennials, jovens entre 24 e 38 anos que carregam como marca a inquietude, a realização de múltiplas tarefas e a fidelidade a seus valores. Eles acreditam na carreira, nos estudos, mas se negam a realizar atividades que não façam sentido para eles no longo prazo. São menos leais e mais questionadores, menos formais e mais individualistas. Desprezam a autoridade pela hierarquia e valorizam a consciência ambiental e a sustentabilidade.

Geração Z (1996-2010)

Essa turma já nasceu conectada. São os nativos digitais, que multiplicaram a tal ponto o egocentrismo e o individualismo característicos dos millennials que tendem a apresentar problemas de interação social. Realizam tarefas múltiplas, utilizam multicanais e assumem múltiplas funções, mas sofrem, por exemplo, com a falta de expressividade na comunicação verbal.

Como planejar a educação corporativa para cada grupo

Os três primeiros grupos – Builder generation, Baby boomers e Geração X – têm em comum o fato de estarem mais propensos a seguir regras e comandos estabelecidos pela pedagogia empresarial.

A educação corporativa tem a seu favor, portanto, uma certa disciplina que é característica desses públicos e que os torna mais abertos a receber e cumprir tarefas e missões. “São pessoas mais fáceis de serem engajadas em um treinamento. A empresa passa uma atividade, explica o que é necessário fazer para executá-la e tem certa garantia de que os colaboradores irão cumprir e apresentar os resultados esperados”, diz Fabiana Bigão, doutora em Ciência da Informação com foco em EAD e Gamificação.

Bons recursos de treinamento e desenvolvimento para essas gerações são aqueles que privilegiam a construção de trilhas de aprendizagem estruturadas. Fabiana alerta que esse público é mais receptivo a cursos de longa duração (com duas ou três horas de aula), a conteúdos diversificados e a formas tradicionais de aprendizagem. “Eles gostam de vídeos, quizzes e atividades de desafio, mas são abertos também a textos e outros tipos de conteúdos mais densos”, salienta.

Para as gerações Y e Z, o foco da educação corporativa deve ser outro. Essa turma de pensamento não linear e bastante individualista precisa se sentir recompensada quando executa uma atividade. Nas iniciativas de treinamento e desenvolvimento, tem necessidade de enxergar um significado de longo prazo, tanto para seus objetivos individuais e profissionais quanto para suas aspirações relacionadas à coletividade. “Esse público não tem paciência para trilhas muito estruturadas. Os programas da educação empresarial devem ser pensados para conseguir conectá-lo a outras pessoas com interesses comuns”, analisa Fabiana.

Assim, esse time será sempre mais receptivo ao planejamento da pedagogia empresarial que ofereça liberdade de acesso e de execução das atividades: mobile learning, microlearning, videoaulas, plataformas LMS gamificadas são ferramentas que conseguem engajar a turma com mais efetividade.

Esse último recurso vale atenção especial.

Gamificação é a isca perfeita para Y e Z

Desafios, competição, sensação de conquista e de autonomia são aspectos relacionados à gamificação que atraem qualquer geração. Mas exercem, sem dúvida, um fascínio especial sobre a juventude que nasceu na era digital.

A lógica e a metodologia dos games que são tomadas de empréstimo pela gamificação nos programas de educação corporativa podem transformar conteúdos densos em materiais mais acessíveis e atrativos. Esses elementos ajudam a engajar as pessoas na realização de tarefas e na conquista de objetivos, especialmente aquelas de perfil agitado e explorador como as novas gerações.

“A gamificação pode e deve ser usada pela pedagogia empresarial em programas de treinamento e desenvolvimento voltados para todas as faixas etárias”, diz Fabiana. “Nas gerações Y e Z, porém, o sucesso da metodologia é ainda mais certeiro”, completa.

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