Storytelling: aprenda como usar narrativas para um treinamento memorável

Storytelling: aprenda como usar narrativas para um treinamento memorável

Técnica de contar histórias aumenta o poder de atração e o engajamento em videoaulas

Ninguém esquece uma boa história. Dos contos de fadas ouvidos na infância aos casos engraçados compartilhados em uma roda de amigos, as narrativas interessantes aguçam os sentidos e conectam emocionalmente as pessoas, ganhando um lugar especial no cantinho da memória. Por causa dessa característica, a contação de histórias já virou até estratégia de negócios. Nas empresas que descobriram o poder das narrações, o storytelling, como é chamado o método de transmitir mensagens por meio de histórias e recursos visuais, tem sido usado para engajar colaboradores, especialmente em programas de educação corporativa on-line.

O que é storytelling

Para entender a força desse recurso é necessário antes compreender seu conceito. Storytelling significa a arte de contar histórias. Muito antes do início da contagem dos anos pelo nascimento de Cristo, nossos ancestrais já tinham esse hábito, quando se reuniam em volta de fogueiras para narrar seus feitos e vitórias. E era assim que perpetuavam práticas e conhecimentos tão necessários à sobrevivência dos grupos.

Hoje, as pessoas continuam falando delas mesmas e passando seu legado, mas substituíram as rodas de fogueiras por uma mesa de bar com amigos e por vários outros locais.

Storytelling, portanto, é a comunicação por meio de histórias com princípio, meio e fim, utilizando elementos específicos, como personagens, ambientes e conflitos, capazes de envolver o leitor ou ouvinte e transformar o fato em uma mensagem irresistível.

Acima um exemplo de storytelling para explicar o gerenciamento de projetos.

Quais os benefícios do storytelling no treinamento corporativo on-line?

Em geral, autores e estudiosos do assunto concordam que narrativas são intrinsecamente mais envolventes que fatos básicos. É por isso que, normalmente, os melhores professores são aqueles que ilustram tanto a teoria quanto a aplicação prática de um determinado conteúdo por meio de histórias.

Em treinamento corporativo, instrutores experientes conseguem contar histórias que conectam as pessoas com o que acontece no dia a dia das empresas. No caso de videoaulas, em que é preciso ganhar a atenção dos alunos logo no início para evitar a dispersão, isso faz toda a diferença. “Histórias tornam o aprendizado mais acessível e interessante, ajudando a conquistar a adesão e o engajamento dos colaboradores”, diz Fabiana Bigão, professora da Fundação Dom Cabral (FDC) e sócia da Viddia.

Estudos de varredura cerebral realizados pela neurocientista Lauren Silbert e abordados pelo escritor Carminne Gallo em seu livro TED – falar, convencer, emocionar mostraram que, quando as pessoas ouvem uma história, determinadas partes do cérebro são ativadas, estabelecendo uma profunda conexão entre o falante e os ouvintes. Traduzindo para o meio organizacional, este seria o primeiro benefício do storytelling para as empresas:

Conexão do professor com os participantes – quando uma videoaula começa com uma história, o instrutor consegue se aproximar dos alunos. Essa empatia que se estabelece logo de cara é uma das principais condições para que a experiência de aprendizagem seja significativa e de qualidade. Histórias autênticas conectam a plateia de um jeito profundo, sendo muito mais eficazes para transmitir informações.

Melhor memorização do conteúdo a sincronia emocional que é criada com o público quando o instrutor conta uma história torna conceitos e ideias mais concretos e tangíveis, ajudando os participantes de um treinamento a se lembrar do conteúdo com mais facilidade.

Maiores chances de persuasão essa sintonia determina também um terceiro benefício do storytelling, que é a possibilidade de convencer o aluno a ouvir, aprender, acreditar e aplicar o conhecimento transmitido. Para o filósofo grego Aristóteles, três fatores determinam a persuasão: o etos, que representa a credibilidade nas pessoas que respeitamos por suas conquistas e experiências; o logos, que é a persuasão por meio da lógica, dos dados e das estatísticas; e o páthos, que traduz a persuasão a partir das emoções. É nesse último, principalmente, que está ancorado o poder do storytelling na educação corporativa a distância.

Por que usar o storytelling no treinamento corporativo?

Se o storytelling tem a capacidade de aumentar o envolvimento dos colaboradores, já há motivo suficiente para que seja valorizado como recurso da pedagogia empresarial em programas de treinamento on-line. Afinal, apesar das inúmeras vantagens que proporciona, o EAD corporativo ainda tem taxas baixas de engajamento.

Dados do Censo EAD.BR 2015/2016 apontam que quase metade das instituições apresentam percentuais de evasão de até 50%. “São números alarmantes, considerando o desperdício de recursos, em tempo e dinheiro, quando um colaborador abandona um treinamento antes do fim”, analisa Fabiana Bigão.

A deserção acontece, entre outros motivos, porque não houve conexão com o curso ou porque o treinamento não atendeu às expectativas do participante. Nesses casos, encontrar a melhor maneira de transmitir uma ideia pode fazer uma diferença considerável nos níveis de audiência das videoaulas. E por que não através do storytelling?

Como aplicar o storytelling em videoaulas

Para acertar de primeira na estratégia de utilizar o storytelling em videoaulas, o segredo é apostar em uma história bem interessante e autêntica. Empregar imagens e até outras mídias para enriquecer essa história e facilitar a compreensão, sempre que possível, é outra boa dica.

Via de regra, quanto mais detalhes a narrativa tiver, mais chances ela terá de prender a atenção dos participantes. Não menos importante, ainda, é investir em um título instigante e planejar a narração em etapas, prestando atenção para que ela traga uma introdução, um desenvolvimento e um desfecho bem delimitados.

O autor americano Kurt Vonnegut defendia que histórias de sucesso, que se conectam emocionalmente com a maioria das pessoas, possuem um formato bem simples, em que má sorte e boa sorte do personagem principal oscilam em torno de um eixo central.


Gráfico elaborado por Vonnegut para ilustrar o conceito geral de uma boa história. O eixo y representa a “má sorte” e a “boa sorte”; o eixo x determina o “começo” e o “fim” da narrativa.


Citado por Carminne Gallo como uma referência na contação de histórias, Vonnegut explicava que, num modelo básico de narrativa, a história começa bem, o personagem principal enfrenta problemas, passa perto de perder a boa sorte, e, então, algo surpreendente acontece que o faz chegar ao final feliz. Em outros modelos, essa lógica pode se inverter, começando com a má sorte, como a gata borralheira de Cinderela, para galgar, após alguns tropeços, ao esperado happy ending.

De um jeito ou de outro, todo mundo tem uma história para contar. O pulo do gato é saber adequar essa narrativa para torná-la arrebatadora e, consequentemente, inesquecível.

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