Reconhecimento: uma mecânica de gamificação que eleva a produtividade nas empresas

Gamificação aposta em reconhecimentos e recompensas para melhorar a satisfação e o engajamento no trabalho

Nem em casa, descansando ou curtindo a família, nem em atividades de lazer. Quando não estão dormindo, é trabalhando ou estudando para se tornarem mais produtivas que as pessoas passam a maior parte do tempo de suas vidas. E se é produzindo que elas dispendem grande parte de suas energias, é nessas atividades que elas deveriam ser mais felizes, certo?  

Lamentavelmente, no Brasil, parece que não. Pelo menos é o que mostram as estatísticas. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, por exemplo, feita no final de 2017 e divulgada pela revista Época Negócios, revelou que 56% dos trabalhadores formais estavam insatisfeitos com seu emprego. Isso significa, de acordo com a reportagem, que 18,7 milhões de pessoas trocariam de lugar na busca por mais alegria no trabalho.

O interessante nessa discussão é que a mesma pesquisa que divulgou dados tão alarmantes para as organizações em relação ao perfil de seus colaboradores aponta também um caminho para a solução. O levantamento diz que 96% das pessoas consideram importante que as empresas reconheçam seus funcionários por meio de recompensas materiais e de outras formas, como elogios e homenagens. Além disso, 80% dos entrevistados citam programas de premiações e recompensas como boas formas de valorizar os funcionários e estimular a sensação de reconhecimento, a produtividade e a melhora no ambiente de trabalho.

“É uma janela para que as empresas comecem a refletir sobre o valor das ferramentas de gestão de pessoas que contribuem para o bem-estar, entre elas as mecânicas de reconhecimento e recompensa que a gamificação oferece”, diz a professora da Fundação Dom Cabral e sócia da Viddia, Fabiana Bigão. “Estarem satisfeitas com o que fazem leva as pessoas a uma produtividade mais prazerosa e, consequentemente, maior. Ser feliz no trabalho, portanto, é chave tanto para o sucesso profissional dos colaboradores como para os resultados da organização”, justifica.

Felicidade e produtividade caminham juntas

É claro que a (in)felicidade de seus colaboradores não é o único fator de impacto na produtividade de uma empresa. Existem diversos elementos que determinam o desempenho dos negócios e da economia como um todo. Mas ele tem um peso significativo e cientificamente comprovado, e por isso não deve, de forma alguma, ser negligenciado.

O psicólogo e consultor de negócios norte-americano Maciel Losada, citado por Shawn Achor em seu livro O jeito Harvard de ser feliz, depois de 10 anos de estudos chegou a uma modelagem matemática capaz de manter o desempenho no ambiente de trabalho. Segundo Losada, três para uma seria a proporção mínima entre as interações positivas e negativas que são necessárias para fazer uma equipe corporativa ter sucesso no que faz. Em outras palavras, são necessárias cerca de três experiências ou comentários positivos para combater os prejuízos de apenas uma experiência ou um comentário negativo no trabalho. “Abaixo desse número, o desempenho no ambiente corporativo entra rapidamente em colapso”, constata Achor.

Em uma entrevista à revista Exame, o pesquisador chefe de ambiente de trabalho e bem-estar do Instituto Gallup, Jim Harter, já havia alertado para a necessidade de uma mudança urgente na gestão de talentos dentro das empresas americanas para evitar pedidos de demissão em massa.

Harter fez essa declaração após o Gallup ter divulgado uma pesquisa mostrando que 51% da força de trabalho nos EUA buscava novas oportunidades e que os trabalhadores em geral estavam infelizes, desmotivados e sem engajamento com o serviço que prestavam.

Recentemente, a Revista Época Negócios divulgou um levantamento, realizado pela Harvard Business Review com cerca de 12 mil executivos de diferentes empresas, mostrando que aqueles que enxergam algum propósito em sua atividade sentem 1,7 vez mais satisfação no trabalho, tornam-se 1,4 vez mais engajados, e, portanto, têm três vezes mais chances de  permanecer no emprego atual.

Reconhecimento pela gamificação

Corroborando os estudos de Losada, a opinião de Harter e os dados da pesquisa feita pela Harvard Business Review, o autor de Happy hour is 9 to 5 Alexander Kjerulf, afirma que para ter sucesso profissional as pessoas precisam encontram um trabalho que ofereça retornos positivos e o sentimento de estarem sendo recompensadas pelo que fazem. Mais uma vez, o que está em jogo é o reconhecimento como um grande motivador de emoções positivas e um gatilho para a felicidade no ambiente de trabalho.

A grande pergunta é como promover o reconhecimento dos colaboradores de forma a capitalizar seus desdobramentos em ganhos de produtividade para as empresas. Nesse ponto, Fabiana Bigão lembra que a gamificação desponta como aliado poderoso dos programas de gestão e educação corporativa.

“O reconhecimento é uma das mecânicas da gamificação capazes de promover mudanças de comportamento dos colaboradores em relação às ações que se pretende desenvolver nas empresas”, reforça ela.

Em uma equipe de projetos, por exemplo, é possível aplicar elementos de jogos para recompensar os colaboradores pelo cumprimento de etapas ou subprodutos do trabalho que está sendo executado pelo time.

Desde que incorporados de forma planejada na arquitetura da gamificação, dentro de uma jornada atrativa para seus participantes, esses elementos podem ser utilizados de diversas maneiras:

  • Premiações por mudanças de fases;
  • Medalhas, troféus, estrelas e moedas por cumprimento de desafios;
  • Elogios e reconhecimento público pelos gestores;
  • Rankings com destaque para as primeiras colocações.

Melhorando o clima organizacional e gerando uma atmosfera positiva na empresa, os resultados seguramente irão aparecer. Porque para ter felicidade não é necessário o sucesso. Mas para ter sucesso e ser produtivo, seja na vida ou no trabalho, aí sim, é muito importante ser, antes de tudo, feliz.

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