O pior problema da comunicação e como ele pode te enganar

Sem comunicação, não existe relacionamento entre as pessoas. Logo, comunicar é essencial para todo ser humano. A todo momento nos comunicamos por meio do que fazemos e deixamos de fazer, por meio do que vestimos e do nosso comportamento. Nós também recebemos mensagens de outras pessoas de diversas formas, e interpretamos de acordo com nossa forma de ver o mundo. Aí mora o problema.

Veja, é um bebê!

Este artigo mostra um outro viés da comunicação. Ele fala sobre nossa percepção, nossa necessidade de estar no controle e como essa necessidade influencia o que interpretamos. Também fala sobre o viés da confirmação, algo que afeta a todos nós.

Como a percepção afeta o que vemos e interpretamos

A percepção humana não é uma conseqüência direta da realidade, e sim um ato imaginativo. A percepção precisa da imaginação porque os dados que encontramos em nossas vidas nunca são completos, são sempre ambíguos. Então o cérebro cuida de processar os dados, preenchendo lacunas com base em deduções. O nosso cérebro também procura identificar padrões e dar-lhes significado. Às vezes, esses padrões realmente têm significado, mas às vezes não passam de eventos puramente aleatórios que a gente precisa dar significado.

A imagem no início deste artigo não se parece literalmente com um ser  humano, mas somos capazes de identificar até mesmo que o bebê está sorrindo, não é mesmo?! Veja que a informação está incompleta, nós preenchemos o que falta com base em deduções.

A percepção e nossa necessidade de estar no controle

Além de buscar padrões, as pessoas gostam de exercer controle sobre o seu ambiente, pois o senso de controle pessoal  integra a visão que temos de nós mesmos e nossa noção de autoestima. Pesquisas mostram que é benéfico procurar maneiras de exercer controle sobre nossas vidas (ou de termos a sensação que exercemos). O pensamento determinístico nos dá segurança, gostamos de acreditar no sucesso baseado num raciocínio simples de causa e efeito. E muitas vezes menosprezamos a influência da aleatoriedade em nossas vidas.

A relação entre a necessidade humana de estar no controle e padrões aleatórios é que, se os eventos são aleatórios, nós não estamos no controle, e se estamos no controle dos eventos, eles não são aleatórios. Logo, existe um confronto entre nossa necessidade de sentir que estamos no controle e nossa capacidade de reconhecer a aleatoriedade. Esse embate é um dos principais motivos pelos quais interpretamos erroneamente eventos aleatórios, tentando dar significado a eles.

A necessidade de nos sentirmos no controle da situação interfere na percepção dos eventos que acontecem ao nosso redor. E muitas vezes, quando estamos diante de uma percepção, seja ela ilusão ou não, em vez de tentarmos provar que nossas ideias estão erradas, geralmente tentamos provar que estão corretas. Isso é chamado de viés da confirmação.

O viés da confirmação: esse maldito

A compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada.

Para piorar, além de buscarmos preferencialmente as evidências que confirmem nossas noções preconcebidas, também interpretamos indícios ambíguos de modo a favorecerem nossas ideias. Isso é um problema, pois os dados muitas vezes são ambíguos. Assim, ignorando alguns padrões e enfatizando outros, nosso cérebro inteligente consegue reforçar suas crenças mesmo na ausência de dados convincentes.

Quer exemplos? Tente conversar com uma pessoa que é a favor da pena de morte, ou com um ateu, ou com alguém que defende uma tecnologia com unhas e dentes. Todos os indícios mencionados por eles favorecerão suas crenças. Além disso, eles rejeitarão quaisquer comprovações contrárias. Todos nós somos assim em relação às nossas crenças.

A evolução do cérebro humanos nos tornou eficientes no reconhecimento de padrões, mas como nos mostra o viés da confirmação, estamos mais concentrados em encontrar e confirmar padrões que em minimizar conclusões falsas. Para não cair nessa cilada, a dica de ouro é aprender a questionar nossas percepções e teorias.

Conclusão

Nossa necessidade de estar no controle influencia nossa percepção sobre o mundo e a interpretação das mensagens que ele nos transmite. E o viés da confirmação só piora as coisas, pois ele nos faz buscar indícios apenas para comprovar nossa percepção, e não para confrontar. Isso é um perigo, pois nos transforma em pessoas cheias de certezas e convicções. Dessa forma, a comunicação e, por consequência, o relacionamento entre as pessoas fica bastante prejudicado. 

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Fonte: As ideias desse post foram retiradas do livro O Andar do Bêbado. Muitas frases e expressões são do próprio autor do livro, Leonard Mlodinow.

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