Por que a Bitcoin pode ser bonita, charmosa e legal, mas não é moeda!

Bitcoin é, sem dúvida, um assunto da moda. Mesmo pessoas que não entendem, não possuem e/ou não querem colocar seu dinheiro suado nisso estão comentando o assunto em festas e na cerveja após o serviço. E a princípio não há nada mais natural.

O Bitcoin é o principal expoente de um conjunto de coisas que acostumamos a chamar criptomoedas. Hoje existem dezenas ou centenas de criptomoedas, mas a Bitcoin foi a primeira e possui mais de 30% do mercado, então ela se transformou em uma espécie de sinônimo delas, da mesma forma que outras marcas como Xerox, Durex e Bombril. Dentre as principais características de uma criptomoeda, podemos destacar:

  • Não são controladas por ninguém: ao contrário do Real ou do Dólar, que são emitidos por uma entidade única (os bancos centrais), as criptomoedas são emitidas de forma descentralizada, e esta emissão não está sujeita a nenhuma regulamentação a não ser a própria dificuldade de emissão em si.
  • São anônimas: ninguém sabe quem são os donos das moedas em circulação, e nem sabe quem está comprando ou vendendo as moedas a cada momento.

A tecnologia por trás das criptomoedas, chamada de Blockchain, é uma maravilha e valeria um texto apenas sobre ela, pois é uma das invenções que aparecem de tempos e tempos e possuem potencial para mudar o mundo. E de certa forma, já está mudando. Mas tecnologia, por mais incrível e apaixonante que seja, por si só não é suficiente para que seja usada da forma pretendida. E, no caso das criptomoedas, não farão com que sejam usadas como isso, moedas.

Mas por que não? Para responder isso, precisamos entender primeiro o que é uma moeda. Moeda é usada neste contexto como uma representação do dinheiro, e pode assumir diversas formas como notas, depósitos, cheques e, evidentemente, as moedas em si, aquelas fichas metálicas que possuem uma figura de um lado e um número do outro. Mas o dinheiro não possui valor algum por si só. Ele vale apenas o quanto valem as coisas que conseguimos comprar com ele (para confirmar isso, pense em quanto vale 1 milhão de dólares em notas quando você está com eles em uma ilha deserta. No máximo, como material para fogueira ou papel higiênico). O dinheiro, assim, possui uma função principal: ele serve como um índice de preço para as coisas. Uma coisa que custa 20 dinheiros custa duas vezes mais do que uma que custa 10. Sem discussão.

As empresas precisam de dinheiro. Não apenas para comprar coisas, mas para todos os seus controles internos. Os balanços patrimoniais, os demonstrativos e o valor dos estoques de mercadorias são todos eles medidos em dinheiro, e é com base nestes valores que as empresas tomam as decisões de quais preços podem aceitar pagar pela matéria-prima que compram e quais valores querem cobrar pelos produtos que vendem. E é justamente por isso que a Bitcoin e suas irmãs podem ser tudo, menos moedas.

As criptomoedas são elogiadas por algo que é, ao mesmo tempo, sua maior virtude e sua maior fraqueza: a falta de alguém com a responsabilidade de manter o controle sobre seu valor. Bancos centrais responsáveis trabalham o tempo todo no intuito de controlar o valor das moedas para que elas possuam uma certa estabilidade de valor, e permitam que as transações comerciais aconteçam entre as empresas sem a preocupação se, entre o momento em que combinamos o preço e o momento em que estou assinando o cheque, o valor da moeda tenha se alterado.

Dê uma olhada na alteração de valor do Bitcoin nos últimos meses:

Somente no ano de 2017, o Bitcoin ganhou mais de 1.500% em valor (desde então vem caindo, e não se sabe onde vai parar). Isso é, um produto que “custava” 1 Bitcoin no início de 2017, deveria custar aproximadamente 0,06 Bitcoins no fim do ano. Quem lembra da inflação no Brasil antes do Plano Real, sabe que é impossível planejar e gerenciar uma empresa assim. Os balanços e demonstrativos eram usados não como ferramenta de planejamento empresarial, mas sim apenas como registro obrigatório para fins legais.

Estas variações dificultam, e muito, que as criptomoedas, da forma como são hoje, sejam usadas para o pagamento de produtos. As poucas empresas que passaram a aceitá-las como forma de pagamento viram em pouco tempo que isso torna o gerenciamento da empresa insustentável, pois é impossível prever se daqui a um mês as criptomoedas que ela possui valerão o dobro ou metade do que valem hoje. E empresas precisam desta previsão em seus balanços e demonstrativos para que possam ser gerenciadas com um mínimo de previsibilidade.

Assim, é possível prever que o número de empresas que aceitam as criptomoedas como moedas pare de crescer e, eventualmente diminua. Já em 2017, várias empresas que antes as aceitavam deixaram de fazê-lo. E caso esta tendência se confirme, o destino das criptomoedas poderá ser o mesmo de outros artigos de valor que são usados para fins especulativos, como obras de arte e outros similares.

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